maria helena marcon Malena, com sua experiência na Comunicação Social Espírita, o que é preciso para conseguir colocar em prática uma Conferência Estadual Espírita desta magnitude?

Isso se faz com muito trabalho, know-how de anos e com muitas equipes. A Federação Espírita do Paraná iniciou a divulgação da Doutrina Espírita através de grandes eventos do tipo da Conferência, em 1992, quando lançou o 1º Simpósio Paranaense de Espiritismo. Aconteciam a cada dois anos. Logo, a Federação definiu que seria bom que nos anos ímpares houvesse o Simpósio e nos anos pares a Conferência. Surgiu, em 1994, a 1ª Conferência Estadual Espírita. De lá para cá, foram muitos movimentos acontecendo todos os anos, um ano Simpósio, um ano a Conferência. Quando, em determinado ponto, as nuances entre Simpósio e Conferência se tornaram muito sutis e não havia porque ficarmos com dois nomes para dois eventos semelhantes, eliminamos Simpósio e dali em diante ficamos com Conferência Estadual Espírita, e estamos na XIX edição.

O processo é bastante moroso, desde que, na semana seguinte em que se conclui uma Conferência, se faz uma grande avaliação com todos os chefes de equipe, com os próprios voluntários, este ano estamos com quatrocentos voluntários, nas várias equipes, e se inicia a projetar o evento para o ano seguinte.

Toda essa grande organização é fruto do trabalho de funcionários e de voluntários da Federação, desse know-how que se foi conseguindo ao longo de cada ano. A cada avaliação se verificam os pontos fracos, onde devemos, portanto, melhorar e é o que se faz, anualmente.

E como é definido o tema para a Conferência?

Existem alguns anos em que temos temas bem específicos, estabelecidos por comemorações importantes, como neste ano, 160 anos do lançamento de O Livro dos Espíritos. No Conselho Federativo Estadual, os quarenta e um membros definem qual será realmente o título da Conferência, porque então vamos comemorar os 160 anos da Doutrina Espírita. Mas, qual será o título?
Todos têm direito a votar e o título mais votado é aquele que é eleito para a próxima Conferência. Em 2018, possivelmente, teremos algo relacionado à comemoração do lançamento de A Gênese, que se deu em 1868.

Falando sobre o Jornal Mundo Espírita que também está sob sua coordenação, como é feito? É um processo bastante longo também, bastante pesquisa, muita pesquisa histórica, como é todo esse processo?

O Jornal Mundo Espírita foi fundado no Rio de Janeiro e trazido a Curitiba, por Lins de Vasconcellos. Hernani Andrade, o seu fundador, em determinado momento começou a ter dificuldades de ordem financeira e ia fechar o Jornal. Lins de Vasconcellos adquiriu todos os direitos, inclusive as dívidas, e trouxe ao Paraná o Jornal, levou ao Conselho da Federação, pedindo, isso consta em Ata, entre lágrimas, que a Federação nunca deixasse morrer esse periódico. Ele teve produção quinzenal, depois passou para mensal e está comemorando neste mês próximo de abril, oitenta e cinco anos de existência. Por ele já passaram pessoas muito ilustres, na sua direção, na sua gerência. Hoje está a cargo do setor da Comunicação Social Espírita, naturalmente num entendimento muito estreito com a Presidência da Federação.

Temos uma equipe de trabalho e é muito interessante que, às vezes, temos algumas orientações mediúnicas que vêm através de determinado Centro Espírita, de um dos grandes gerentes do Jornal que foi Lauro Scheleder. Inclusive a mais recente coluna que inserimos foi ele quem nos sugeriu. Analisamos em equipe e definimos qual seria o título e como daríamos andamento à sugestão.


E como que é feita a pesquisa, como é definido o que será notícia do Jornal?

Temos reunião de pauta, todo o mês, entre dia vinte e vinte e dois. Fechamos a edição no dia nove. Então, por exemplo, a edição de abril está fechada, está no prelo, dia vinte e um ou vinte dois faremos a reunião de pauta e dia nove de abril fecharemos a edição de maio.

Na reunião de pauta vemos quais os artigos de que dispomos, quais as datas importantes, quais os eventos importantes a serem noticiados. E temos algumas colunas específicas, por exemplo, Anúncios da Nova Era. Esse é um trabalho de pesquisa que envolve todos os que trabalham no Jornal, porque vamos vendo aqui, lá, acolá e vamos mandando as sugestões para o e-mail do Jornal. Da mesma forma, Lições para a vida. Trata-se de um trabalho de pesquisa que envolve, em verdade, todos os companheiros. Também a coluna Trabalhadores do Bem, onde enfocamos pessoas que praticam o bem, independente de cunho religioso: às vezes são políticos, mas que idealizaram ou idealizam algo de muito bom. Isso também: um membro da equipe lê certa notícia e sugere, na reunião de pauta. Fazemos uma pesquisa mais aprofundada para então enfocarmos o personagem. Assim tudo vai acontecendo.


Com base em sua trajetória, em seu trabalho pelo Estado, principalmente, qual a sua avaliação do Movimento Espírita do Paraná?

Acreditamos que o Estado do Paraná, em termos de Movimento Espírita, está bem. Não diríamos que está ótimo porque devemos ainda crescer muito, principalmente em qualificação do trabalhador e este é, de quatro anos para cá, o empenho da Federação Espírita com um projeto muito grande, extenso de Qualificação do Trabalhador Espírita, que compreende várias fases. Estamos, agora, na fase quatro. O objetivo é formar multiplicadores que vão para as suas regiões, multiplicam conteúdos, formando uma rede de trabalhadores. O objetivo é de que a pessoa, quando chegue ao Centro Espírita possa ser bem recepcionada, bem atendida, receba o passe conforme as normas da Codificação Espírita, receba o consolo que a Doutrina pode e deve oferecer.


E, em nível de Brasil, como está o Movimento Espírita?

O nosso Brasil é um Continente então, as diferenças de uma região para a outra são enormes. Se formos para a região Norte, para a região Nordeste, teremos realidades diferentes. Aqui no Paraná, vamos de carro até Foz do Iguaçu. São 700 km. Ou pegamos um avião. Imaginemos o trabalho do Movimento Espírita na Amazônia, onde os trabalhadores, para chegarem a algumas regiões viajam de barco uma semana. Como podem fazer um grande Movimento Espírita? Eles precisam formar multiplicadores para esse multiplicador realizar o trabalho, em uma região, na outra. Vimos, por exemplo, alguns Centros Espíritas que realizam o trabalho de evangelização, num pátio aberto porque é uma região quente. Em um Centro Espírita, vimos arame farpado ao redor de todo o terreno no qual estavam os evangelizandos. Perguntamos: “Por que o arame farpado?”

“Porque as onças rondam ao redor do Centro Espírita.” Então, é uma outra realidade. Temos alguns Centros Espíritas no qual o Presidente é índio. Uma outra cultura, mas, ele está ali como trabalhador espírita. Se vamos ao Nordeste as distâncias também são muito grandes, em algumas regiões muita pobreza. Mas, todos estamos com o objetivo de estudar e praticar a Doutrina.
Isso motiva a que quando saiamos do nosso Estado para outro, encontremos diferenças na prática, no Movimento. A Doutrina, contudo, é única.


Gostaria de deixar uma mensagem a todos aqueles que vêm às nossas Conferências?

Que venham sempre. A nossa Conferência tem um diferencial de todos os demais trabalhos, podemos dizer, do mundo inteiro, em termos de Congressos, algo semelhante ao que se faz aqui, porque todos cobram. Não estamos criticando, mas, a Federação Espírita do Paraná tem esse objetivo e pretende mantê-lo enquanto puder: de oferecer ao público em geral, tudo de forma absolutamente gratuita, isto é, as pessoas podem vir a todas as Conferências, aos seminários, nos três dias, sem gastar nada, se assim quiser.
Naturalmente, temos os livros, temos muitos outros itens para oferecer que objetivam que se angarie recursos para cobrir todos estes custos. No entanto, vejamos que a pessoa que não tem condições pode vir sem precisar despender dinheiro algum.

Temos o setor para doações, o Clube dos Amigos da Conferência. Tivemos uma experiência, dois anos passados, no próprio estande do Institucional, que nos levou às lágrimas. Uma senhora muito simples aproximou-se, desenrolou um lenço onde havia algumas moedas que totalizavam em torno de R$ 1,40 e disse:“ Eu quero contribuir com a Conferência, vocês aceitam isso? É tudo o que eu tenho.”

Dissemos que aquele era o óbolo da viúva porque ela deu tudo o que tinha, e demos o recibo, embora ela dissesse: “ Não, eu não quero recibo porque é muito pouco.” Mas fizemos questão de fornecer o recibo.

Imaginamos se essa pessoa tivesse que pagar dez ou vinte, ou trinta, ou cinquenta reais, qualquer que fosse o valor, ela não poderia vir. Portanto, enquanto puder, a Federação pretende oferecer gratuitamente este evento, no qual se evidenciam os voluntários que doam o seu trabalho, muitos pagando o próprio estacionamento, nem desejam que a Federação o faça, e os que trabalham e ainda gastam do seu dinheiro na Livraria, ou doam no Clube dos Amigos da Conferência, ou fazem a doação do troco solidário.

Isso tudo é muito bom porque é um trabalho de fraternidade e de amor. Posso dar a minha pequena contribuição e outros tantos vão se beneficiar com isso. A Conferência traz para o Paraná grandes nomes: Divaldo Pereira Franco, Alberto Almeida, Raul Teixeira ( enquanto pôde, até o ano de 2011, quando teve o seu AVC), André Trigueiro, Alessandro Viana Vieira de Paula, Sandra Borba Pereira, Sandra Della Pola. São nomes que viajam pelo Brasil inteiro e aí estão reunidos, vários deles, durante três dias. E podemos ouvi-los, vê-los, obter autógrafos e cumprimentá-los.

Não percam esta oportunidade.

 

Entrevista concedida ao setor de Comunicação Social Espírita da Federação Espírita do Paraná, na XIX Conferência Estadual Espírita, no Expotrade, em Pinhais, em 19.3.2017.